Chuva. Era tudo que se podia ver através da janela do quarto de Mariana. Isso já se sucedia a algum tempo, na verdade, a mesma chuva fina e incessante, como restos de lágrimas de um sofrimento abatido.
Na verdade isso dizia muito sobre o humor da pobre menina que se sentava a observar a paisagem vazia.
Vazia, um detalhe que a descrevia, assim como na rua molhada não passava nenhuma pessoa, nenhum ponto onde se pudesse encontrar um calor de alegria, também em Mariana não se passava nenhum sopro, nenhum calor, nenhum ânimo.
A brisa gélida que entrava pela janela penetrava na menina frágil, como se pudesse alcançar sua alma, na verdade, talvez conseguisse...
Por muito tempo ela ficou inerte, enquanto na janela a paisagem cíclica se mantinha. Nem as nuvens pareciam se mover, como se preferissem se desfazer em aguá líquida de uma vez, sem dó.
Seus lábios e pontas dos dedos já estavam congelando, mas ela não se movia para mudar isso, talvez porque não queria, talvez porque não podia...
E pela janela mesmo apareceu, talvez após três horas, talvez após três dias, quem diria, Uma borboleta vermelha a assustou!
Passou serelepe pela chuva, como se deliciando em cada gota, aproveitando a solidão, sentido o frescor. E Mariana riu da borboleta que quase parecia sorrir, ou realmente sorria...
E por instantes a chuva não abatia, o vazio não amedrontava e a brisa não doía.
E Mariana olhou para dentro do quarto e viu calor, mesmo que o calor não se veja... E teve vontade de se arrumar, e teve vontade de viver.
C.W

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