sábado, 22 de dezembro de 2012

Devaneios Eróticos - I



Ri suavemente, e o som fez-se soar em meios aos ruídos que vinham de nossos lábios unidos, não era uma risada exatamente diferente de nenhuma anterior, porém existia uma leveza e uma sinceridade tão genuína que a tornava mais bela do que qualquer uma outra.

Junto dela veio o halito quente que ele exalava em cima de mim. Nossos rostos tão próximos que pude sentir seu cheiro, seu gosto, mas ainda não era o bastante, não era próximo o bastante, precisava de mais, mais força, mais intensidade, mais calor, mais... Ele. 

Senti minhas pernas ao redor de seu corpo, deslizando suavemente, subindo pela coxa até sua cintura, e dali descendo de novo, num ritmo gradual, mas inconstante. Abri os olhos e pude observar o caminho que meus dedos percorriam, descendo dos ombros até suas costas. Deslizando por cada nuance de seu corpo magro e de uma brancura marmórea, cada detalhe dele agora exaltado numa beleza inexplicável.

Tive minha contemplação abruptamente interrompida por um beijo intenso e desconcertante, nossas línguas dançavam enquanto nossos corpos se comprimiam um contra o outro, ansiando pela união, num desejo maior que nós dois, um desejo primitivo e avassalador. 

Suas mãos pegaram as minhas e prenderam contra a cama, num gesto de dominação insanamente excitante, abri os olhos novamente e vi nossas mãos entrelaçadas, pele branca contra pele negra, tão contrastante quanto complementar. Essa visão me fez perceber o quanto ele estava próximo a mim e por alguns momentos não havia nada além de nós, nada mais era importante, nada mais sequer existia, só havia eu e ele num universo criado por mim mesmo, corpo contra corpo, mão contra mão, língua contra língua e a felicidade me invadiu de forma tão intensa que ri novamente.

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