Sentada numa mesinha ao lado de uma padaria, Bia com um copo de café na mão encarava o vazio, o sol se punha e ele logo chegaria... Teria de falar algo, mas não sabia como... Cometera um erro e agora já não sabia o que pensar nem como agir.
Ao mesmo tempo lembrava da noite passada, a fatídica noite passada, porque tinha que ter ouvido Gabriel? Gabriel e suas ideias... Quando o telefone tocara e vira seu nome devia ter desligado, mas não, ignorar o melhor amigo de infância seria um coisa terrível. Atendera.
Gabriel a convidava para que fossem à cidade passear juntos como sempre faziam antes, "Se fosse esperta teria fugido dele", pensou Bia, sabia que estava noiva agora, mas... Eram amigos e não se viam a tanto tempo, devia dar uma chance a ele. Foi. A principio a coisa correu bem, comeram, riram, conversaram, compraram, passaram numa biblioteca. Então Gabriel resolveu que queria ir num maldito bar! Estava tudo claríssimo para Bia, mas porque desconfiar de Gabriel, tinha se comportado tão bem até ali, nada das "coisas antigas"...
Foram. Na meia luz do bar beberam, brincaram, nada demais, Bia já estava meio tonta, nunca fora de beber, desde a adolescência quando Gabriel cismava de beber "um pouquinho"... Mas agora era uma mulher, estava noiva, devia ser capaz de encarar um noitada sóbria! Doce ilusão... Não tardou a estar dançando na mesa de algum desconhecido
Gabriel a pôs sentada em algum banco perto do bar, embora tenha proibido o atende a lhe dar mais um copo. "Você ainda não sabe berber!" - Riu-se dela, "Aprenderei um dia" Replicou Bia com a voz pastosa, "Com quem? Seu noivo sem graça? até onde eu sei ele não bebe, se Ana soubesse com quem você vai se casar..." Típico! Gabriel ressuscitando o antigo trio perfeito, eramos nós três, Gabriel, Ana e eu, sempre juntos correndo pelas ruas da cidade, crescemos juntos, mas cada um seguiu um caminho, Ana viajara pata Londres seguira seu sonho, Gabriel também seguira o seu tornando-se lutador, já Bia... bem tornara-se bibliotecária da mesma cidade onde cresceu, gostava de ler então não era um completo desperdício - pelo menos era assim que preferia encarar as coisas.
- Olhe Gabriel, eu vou me casar com Renato sim, ele é um homem muito bom pra mim e Ana irá aceitar isso, já mandei o convite pelo correio, será uma surpresa, ela vai ficar feliz por mim, diferente de você! - Bia falara com uma firmeza surpreendente.
- Aposto que sim, surpresa agradável... Por isso você preferiu não contar por telefone? Ou foi só pra não ter que escutar o que ela tinha a dizer?
- Não me venha com que essa agora Gabriel, você não entende nada! E vocês não podem deixar uma rixa de infância arruinar a minha felicidade! - Era mentira, Gabriel obviamente entendera muito mais do que Bia era capaz de admitir...
- É claro... Porque você está feliz agora, não está?
Bia trincou os dentes e não respondeu, então Gabriel levantou-se beijou-lhe o rosto e perguntou:
- Está mais feliz agora do que quando eramos eu e você planejando o nosso casamento?
Foi-se, deixando Bia na mesa num estado estranhamente sóbrio para quem ainda a pouco estava a dançar sobre as mesas.
E agora Bia estava lá parada tomando café, esperando e pensando no que dizer para seu amável, mais não amado noivo.
(Carlos W.)

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